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Semicondutores e inteligência artificial: entenda a relação
- 23 de set de 2026
- 6 min de leitura

A inteligência artificial deixou de ser uma tecnologia restrita a laboratórios e aplicações experimentais. Hoje, modelos de IA estão presentes em ferramentas corporativas, plataformas de atendimento, sistemas de análise de dados, aplicações de segurança, automação e uma série de outros ambientes.
Por trás dessa evolução existe uma infraestrutura que nem sempre aparece para o usuário final: os semicondutores.
Esses componentes são fundamentais para o funcionamento de computadores, servidores, dispositivos de armazenamento, equipamentos de rede e, principalmente, dos sistemas de processamento necessários para executar modelos de inteligência artificial.
À medida que a adoção da IA aumenta, também cresce a necessidade de maior capacidade computacional, memória, conectividade e eficiência energética. Isso está transformando a indústria de semicondutores e impulsionando investimentos em toda a cadeia de infraestrutura.
Segundo dados do Gartner, a receita mundial do mercado de semicondutores deve chegar a aproximadamente US$ 1,56 trilhão em 2026, com forte influência da demanda por memória, aceleradores de IA e componentes para redes. A expectativa é que o ecossistema de data centers voltados à IA represente uma parcela cada vez maior desse mercado nos próximos anos.
Mas, afinal, o que são semicondutores e por que eles são tão importantes para a inteligência artificial?
O que são semicondutores?
Semicondutores são materiais que possuem propriedades elétricas intermediárias entre condutores, como os metais, e isolantes. Essa característica permite controlar o fluxo de corrente elétrica de maneira precisa.
De modo geral, o silício é o material mais utilizado na fabricação de semicondutores e está presente na produção de diferentes tipos de chips.
Na prática, os semicondutores são a base dos circuitos integrados, também conhecidos como chips. Esses componentes podem desempenhar diferentes funções, desde realizar cálculos e processar informações até armazenar dados, controlar dispositivos e transmitir informações.
Por isso, quando falamos em computadores, smartphones, servidores, data centers, veículos conectados ou equipamentos de rede, estamos falando, direta ou indiretamente, de tecnologias que dependem de semicondutores.
Quais são exemplos de semicondutores?
Existem diferentes tipos de chips e componentes semicondutores, desenvolvidos para necessidades específicas. Entre eles estão:
- CPUs (Central Processing Units): processadores de uso geral responsáveis por executar e coordenar diferentes tarefas computacionais.
- GPUs (Graphics Processing Units): processadores com grande capacidade de processamento paralelo, fundamentais para treinamento e execução de diversos modelos de IA.
- Aceleradores de IA: chips desenvolvidos especificamente para executar determinadas operações relacionadas à inteligência artificial.
- Memórias: componentes como DRAM, NAND e HBM, utilizados para armazenar e movimentar dados.
- Chips de rede: responsáveis pelo processamento e pela comunicação de grandes volumes de dados entre servidores e equipamentos.
- Circuitos de gerenciamento de energia: ajudam a controlar e distribuir energia para os diferentes componentes eletrônicos.
Essa diversidade é importante porque a infraestrutura de IA não depende de um único tipo de chip. Ela exige uma combinação de componentes trabalhando em conjunto.
Qual é a relação entre semicondutores e inteligência artificial?
Antes de mais nada, a inteligência artificial depende de grandes volumes de dados e de uma enorme capacidade de processamento. Por isso, para treinar um modelo de IA, por exemplo, é necessário processar grandes quantidades de informações repetidamente.
Depois do treinamento, o modelo continua precisando de recursos computacionais para responder às solicitações dos usuários, processo conhecido como inferência. É nesse ponto que os semicondutores entram.
Ou seja: GPUs, CPUs, aceleradores, memórias e chips de rede formam parte da infraestrutura responsável por executar essas operações.
As GPUs ganharam destaque porque conseguem realizar muitas operações matemáticas em paralelo, característica especialmente útil para determinados workloads de inteligência artificial. Ao mesmo tempo, CPUs continuam desempenhando funções importantes na coordenação das operações e na infraestrutura dos data centers.
Com a evolução da IA, a tendência é de uma infraestrutura cada vez mais heterogênea, combinando diferentes tipos de processadores e aceleradores de acordo com o workload.
Por que a IA aumentou a demanda por semicondutores?
Atualmente, os modelos de inteligência artificial estão ficando maiores e mais complexos, enquanto novas aplicações aumentam a quantidade de tarefas executadas por esses sistemas. Isso cria uma necessidade constante de ampliar a capacidade de processamento.
O Gartner estima que os semicondutores relacionados à IA representem cerca de 30% da receita total do mercado de semicondutores em 2026. A consultoria também aponta que os investimentos em infraestrutura de IA estão impulsionando a demanda por GPUs, aceleradores e chips desenvolvidos para aplicações específicas.
Mas o impacto não está limitado aos processadores.
Quanto maior o volume de processamento, maior também é a necessidade de:
- memória de alta velocidade;
- armazenamento;
- conectividade entre servidores;
- redes de alta capacidade;
- gerenciamento de energia;
- sistemas de refrigeração;
- infraestrutura física de data centers.
Ou seja, a expansão da IA está movimentando toda a infraestrutura tecnológica, e não apenas o mercado de processadores.
GPUs, CPUs e aceleradores: qual é a diferença?
É comum associar inteligência artificial exclusivamente às GPUs, mas diferentes tipos de processadores podem participar de um ambiente de IA.
CPU
A CPU é um processador de propósito geral. Ela é responsável por executar uma grande variedade de instruções e coordenar tarefas dentro de servidores e outros dispositivos.
Em uma infraestrutura de IA, a CPU pode trabalhar em conjunto com aceleradores para organizar operações, gerenciar processos e executar workloads que não são necessariamente adequados para processamento paralelo.
GPU
As GPUs foram originalmente desenvolvidas para processamento gráfico, mas sua arquitetura paralela também se mostrou adequada para determinados cálculos utilizados no treinamento e na execução de modelos de IA.
Por isso, elas se tornaram um dos principais componentes da infraestrutura de IA.
Aceleradores de IA
Além de CPUs e GPUs, existem chips projetados especificamente para determinados workloads de inteligência artificial.
Esses aceleradores podem ser desenvolvidos para diferentes objetivos, como treinamento ou inferência, buscando maior desempenho e eficiência para tarefas específicas.
O avanço da IA também está aumentando a diversidade de arquiteturas utilizadas nos data centers. O Gartner projeta crescimento significativo do mercado de semicondutores para processamento de IA até 2030, impulsionado principalmente pelos investimentos em infraestrutura de data centers.
O papel da memória na infraestrutura de IA
De modo geral, o processamento é apenas uma parte da equação. Modelos de IA precisam acessar grandes quantidades de dados rapidamente. Por isso, a memória também se tornou um componente estratégico da infraestrutura.
Um dos exemplos é a HBM (High Bandwidth Memory), uma tecnologia desenvolvida para oferecer alta largura de banda e atender às necessidades de aplicações que movimentam grandes volumes de dados.
O aumento da demanda por IA tem contribuído para elevar a necessidade de memória de alta velocidade. Segundo o Gartner, a expansão da infraestrutura de IA está aumentando o conteúdo de memória por servidor e sustentando a demanda por HBM.
Esse cenário ajuda a explicar por que o debate sobre semicondutores não envolve apenas capacidade de processamento. Memória, comunicação e processamento precisam evoluir de forma coordenada para que uma infraestrutura de IA consiga acompanhar o crescimento dos workloads.
Semicondutores e data centers: a infraestrutura por trás da IA
A popularização da inteligência artificial está transformando os requisitos dos data centers.
Clusters de IA podem reunir grandes quantidades de processadores e aceleradores trabalhando simultaneamente. Isso aumenta a demanda não apenas por chips de processamento, mas também por redes capazes de conectar esses componentes com baixa latência e alta largura de banda.
Segundo o Gartner, à medida que os clusters de IA ficam maiores, mais rápidos e mais intensivos em energia, também aumenta a necessidade de CPUs, componentes de rede, gerenciamento de energia, dispositivos analógicos e tecnologias de interconexão óptica.
Na prática, isso significa que construir uma infraestrutura preparada para IA exige olhar para o ambiente como um todo. Não basta ter um processador potente. É necessário considerar:
Processamento + memória + armazenamento + rede + energia + refrigeração + software.
Essa integração é fundamental para transformar capacidade computacional em desempenho efetivo para aplicações de IA.
Quais são os desafios da indústria de semicondutores?
O crescimento da demanda também traz desafios para a cadeia de fornecimento.
A fabricação de semicondutores envolve processos altamente especializados, grandes investimentos e uma cadeia global que reúne fabricantes de chips, fornecedores de equipamentos, materiais, componentes e empresas responsáveis pelo encapsulamento e testes.
Quando a demanda aumenta rapidamente, a capacidade produtiva pode não acompanhar imediatamente esse crescimento. Esse cenário reforça a importância de planejamento de capacidade, gestão de fornecedores e visibilidade sobre a cadeia de tecnologia.
Para empresas que dependem de infraestrutura de TI, acompanhar essas movimentações também pode ajudar no planejamento de investimentos e na definição de arquiteturas capazes de atender às necessidades atuais e futuras.
O futuro dos semicondutores passa pela IA?
Os números indicam que a inteligência artificial já exerce influência significativa sobre o mercado de semicondutores. Esse movimento tende a estimular o desenvolvimento de novas arquiteturas, chips especializados, memórias de maior desempenho e tecnologias de conectividade.
Ao mesmo tempo, a inteligência artificial está deixando de ser uma carga de trabalho concentrada exclusivamente em grandes data centers. A expansão da IA em dispositivos, sistemas corporativos e aplicações de edge computing também cria necessidades de processamento local.
Assim, o futuro dos semicondutores não depende apenas de produzir chips mais rápidos. A tendência envolve desenvolver arquiteturas mais especializadas, eficientes e adequadas a diferentes tipos de workloads.
Semicondutores e IA: uma relação que vai além dos chips
Entender o que são semicondutores é também entender uma parte importante da infraestrutura que sustenta a transformação digital.
Eles estão presentes nos processadores que executam operações, nas memórias que movimentam dados, nos componentes que conectam servidores e nos sistemas que ajudam a controlar o consumo de energia.
Com a inteligência artificial ampliando a demanda por processamento e dados, essa infraestrutura ganha ainda mais relevância.
Para empresas e profissionais de tecnologia, acompanhar a evolução dos semicondutores significa acompanhar também as mudanças nos data centers, redes, armazenamento, computação de alto desempenho e infraestrutura de IA.
A IA pode ser percebida pelo usuário por meio de uma aplicação ou serviço. Por trás dela, porém, existe uma cadeia tecnológica complexa. E os semicondutores estão entre os elementos que tornam essa cadeia possível.
Prepare sua infraestrutura para a evolução da IA
A adoção de inteligência artificial exige mais do que escolher uma ferramenta ou um modelo. É necessário contar com uma infraestrutura capaz de suportar novos workloads, volumes de dados e demandas de processamento.
A ScanSource conecta fabricantes, parceiros e soluções de tecnologia para ajudar empresas a construir e evoluir sua infraestrutura de TI.




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